Mostrar mensagens com a etiqueta pico alegre. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pico alegre. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de agosto de 2008

ARTE POÉTICA

Imagem retirada da net

Dentro de cada imagem há outra imagem
e a terra treme ainda que não trema
e até mesmo o silêncio é linguagem
e as pedras são as pedras do poema

No ar que se respira há um perfume
e a terra é como uma página já escrita
onde a palavra pulsa e me reúne
para dizer a ilha nunca dita

Sabe a primeira vez e a nunca visto
eu olho e não resisto à tentação
há música no ar e o Pico é isto
um poema que está feito e eu passo à mão

Manuel Alegre in Pico, Círculo de Amigos do Pico, 1998.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Pode escrever-se um poema com basalto
com pedra negra e vinha sobre a lava
com incenso mistérios criptomérias
e um grande Pico dentro da palavra.

Ou talvez com gaivotas e cigarros
cigarras do silêncio que se trilha
sílaba a sílaba até ao poema que está escrito
lá em cima no Pico sobre a ilha.

Manuel Alegre

Frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde desde muito cedo se empenhou em lutas académicas e na resistência ao regime político da época. Mandado para Angola em 1961, incentivou uma revolta militar contra a guerra colonial, acabando por se exilar em Argel no verão de 1964.
Durante o exílio, foi dirigente da FPLN e participou activamente na Rádio Voz da Liberdade, tendo regressado a Portugal depois da revolução de abril de 1974. A partir de então, dedicou-se à actividade política partidária, continuando, porém, a obra literária iniciada com o livro Praça da Canção (1965).