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segunda-feira, 26 de maio de 2008

Votem em mim, que eu voto no meu aumento: 960 euros


Desejamos, de facto, que os mais capazes estejam nos lugares de topo. Na política, ou nas empresas. No sector público, ou no privado.

Não fazemos grandes distinções entre a utilidade de um bom profissional na chefia da sua empresa privada, ou nos trâmites da política.

Mas, também sabemos que estes sectores não são estanques. Que há quem faça tirocínio na política e, depois, colha dividendos no privado. Tudo dentro da legalidade.

Também sabemos que, devido a um número artificialmente elevado de deputados, poderá existir quem seja útil, apenas para fazer coro.

Uma coisa sei, a questão monetária interessa, mas não é tão determinante como se diz.
Penso, também, que a actual alteração ao Estatuto Político-Administrativo da Região, não tem justificação lógica, a nível do recrutamento, para um auto-aumento tão substancial, nesta classe.

Numa das regiões mais pobres da Europa, tradicionalmente flagelada pelo recurso à emigração, como explicar aos reformados, aos desempregados, aos trabalhadores e pequenos empresários, tamanha disparidade?

Bastará estar atento aos comentários da sociedade civil, para sentir que esta proposta acentuou o divórcio entre eleitores e eleitos.

Percepcionando este sentimento, ou apenas numa atitude eleiçoeira digna de Maquiavel, o PSD puxou o tapete aos comensais da assembleia.

Como reacção, o PS e CDS insurgem-se contra a desfaçatez de Costa Neves, sem nunca defenderem, abertamente, a justiça desta proposta de auto-aumento.

Estará, portanto, aberta a revisão dos auto-aumentos e terá o PSD conseguido uma ligeira vantagem política, com a sua jogada de antecipação?

Talvez, mas um silêncio autista que dê seguimento à proposta corporativa, não é de excluir.
A ver vamos, como diz o cego.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Say yeah, yeah

Foto gentilmente cedida pela profª Goreti Batista

No próximo domingo, o secretariado regional do PS/Açores vai reunir, na ilha Terceira, para definir o calendário de escolha dos deputados socialistas às próximas eleições regionais.
A reunião, agendada para as 15h00, vai servir também para eleger a Comissão Permanente do partido.
Segundo o presidente do PS/Açores, Carlos César, o processo de escolha dos deputados para as eleições de Outubro deverá ficar concluído no final do Verão, altura em que “[irão] fechar as listas sem grandes precipitações".
A elaboração das listas de deputados por ilha é “um processo dividido em duas fases, em que serão ouvidas as estruturas partidárias e auscultadas várias personalidades que têm ajudado o presidente do PS/Açores”, explicou Carlos César.
O presidente do PS/Açores assegurou que não se pretende um mero apoiante do Governo Regional no parlamento, mas, sim, alguém com "capacidade para contribuir para a melhoria das políticas do Governo e que estabeleça uma ligação cúmplice com o eleitorado". (...)
In JornalDiario de 2008-05-21

Naturalmente, que haverá vários candidatos a candidatos a deputados pelo Pico. Mas, surpreendentemente, não se vêem artigos de opinião na imprensa local, regional, ou blogosfera.
Conhecemos jovens com propostas e ideias inovadoras, embora manifestadas, invariavelmente, sob o manto do anonimato.
A excepção parece ser a do sr deputado L Machado, algumas vezes aqui criticado, mas, reconhecemos, o único desta área partidária a dar a cara.

A que se deve tamanho acanhamento? Os Homens do Pico perderam a coragem?

O caso parece ser bem mais grave. Com o seu longo braço tentacular, distribuindo empregos e benesses, o aparelho regional asfixia a sociedade civil e castra o livre debate de opiniões.
Em consequência, Outubro trará outro governo maioritário, aparentemente forte, embora eleito com a indiferença e apatia de uma boa franja da sociedade picoense.
Estarei errado?