segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Parque Natural do Pico recebeu 20.000 visitantes este ano

O Parque Natural do Pico, nas suas diferentes valências, registou quase 20.000 visitantes, dando provas que o Pico é um excelente destino de turismo de natureza.

O Parque Natural do Pico possui como estruturas de visitação o Moinho do Frade, no Lajido da Criação Velha, o Centro de Interpretação, no Lajido de Santa Luzia, a Gruta das Torres, na Criação Velha e a Casa da Montanha.

No miradouro do Moinho do Frade, sobre Vinhas Património Mundial, foram registados 6170 visitantes durante o seu horário de funcionamento, entre um de Junho e 15 de Setembro.

O Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha foi inaugurado no mês de Julho do presente ano e registou 1157 visitantes.
A Gruta das Torres registou um total de 6.421 visitantes entre Abril e Setembro.

A Casa da Montanha registou, entre 15 de Junho e 30 de Setembro, 5.671 visitantes, os quais subiram ao ponto mais alto de Portugal.

sábado, 16 de outubro de 2010

Quarto com vista para o mar

O Conselho de Ilha do Pico (CIP) deu parecer positivo à anteproposta do Plano do Governo Regional para 2011.
Reunidos no passado dia 11, os conselheiros esmiuçaram durante duas horas as propostas governamentais e concluíram que o documento é bom para o Pico e contempla a concretização de algumas das suas principais aspirações.

Comparativamente com o Plano do ano corrente, os conselheiros enaltecem, em tempo de crise, o aumento em 12 milhões de euros do investimento e a entrada do Pico no quarto lugar do ranking regional, em termos de dotação orçamental, atrás do Faial, Terceira e São Miguel, depois de durante vários anos terna quinta posição.

As verbas inscritas para obras como o Centro de Saúde da Madalena, a Escola da Ponta da Ilha e para a requalificação do Porto da Madalena agradaram aos conselheiros que, no entanto, lamentaram que o Porto Comercial do Pico continue em águas de bacalhau.(…)

Fora dos planos governamentais continuam a ficar o reordenamento do Porto Comercial do Pico, a Secundária das Lajes, a ampliação do Quartel das Lajes, a segunda fase de ampliação da secundária da Madalena, a nova Escola Profissional do Pico e a requalificação da Estrada Longitudinal.
In Ilha Maior de 15 de Outubro de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

“A juventude tem que pensar muito a sério no futuro do Pico”

Aos 95 anos Ermelindo Ávila fala a Ilha Maior sobre o passado, o presente e o futuro do Pico. O escritor, investigador e historiador, que ao longo de décadas assinou vários contributos para melhor se conhecer a ilha, olha com tristeza para o presente e o futuro do Pico devido à falta de investimentos que suportem o desejado crescimento e afirma que os jovens têm de se assumir como protagonistas no amanhã da ilha.
(…)
O que o motiva a escrever diariamente?
EA: Principiei a escrever muito cedo. Talvez não tivesse a real consciência daquilo que estava a fazer.
Comecei a escrever em 1932 com 15 anos. Quem recebeu os meus escritos foi o padre Xavier Madruga que os publicou no jornal “O DEVER” e nunca mais deixou de os publicar.
Foi um bichinho que me mordeu e desde então tenho continuado a escrever.
Reformei-me depois de 46 anos de serviço. Com 46 anos de serviço adquire-se um hábito de trabalhar. No dia seguinte à minha reforma, com 70 anos, sentei-me à secretária e continuei a trabalhar.
Curiosamente fui aconselhado por alguns médicos a escrever, adiantando que esse trabalho dava saúde.
Escrevo sem projectos, mas sobre o que vai aparecendo.

Olhando para a sua ilha, qual a análise que faz do Pico?
EA: Vejo o Pico com uma certa tristeza. O Pico vive melhor porque tem outras actividades mas tem uma grande falha na juventude. O Pico não tem juventude porque a juventude caminha e não volta. Isso é que é o grande mal do Pico.
Quem é que vai continuar o Pico? Já pensaram?
Vêm três/quatro pessoas de fora dar aulas nas escolas. Quase nem convivem com as pessoas de cá. Vão-se embora. Os de cá também se vão embora e são os velhos que vão ficando. O Pico precisa criar novas actividades e incentivos para que a juventude que sai para estudar volte e possa cá fixar-se. Isso é essencial.

É preciso repensar bem o futuro?
EA: É preciso repensar com muito cuidado o futuro e ter a certeza de que se não tomarem medidas drásticas imediatas daqui a uma dúzia de anos podem fechar a ilha.
Como se pode inverter essa tendência?
EA:
Como atrás disse, criando actividades e investimentos, tal como se faz nas outras ilhas.

Fala-se muito que o Pico é a ilha de futuro…
EA: É uma ilha de futuro pelo tamanho que tem, mas não pelas suas actividades.
Tem havido uma melhoria ou uma inversão das coisas?
EA: Os que vivem no Pico vivem relativamente bem. No meu tempo não se estudava fora. Eram raros os que iam estudar para o Liceu e raríssimos os que iam para a universidade.
Hoje toda a gente acaba o 12º ano e vai para a universidade e depois escolhem cursos do seu agrado, alguns deles sem oferecerem colocação.
Não podem escolher os cursos que gostam. Têm de escolher os cursos que dão colocação futura. Nunca escolhi o trabalho que ia ter.
Escolhi o que me dava rendimento, fosse ele qual fosse. Também gostava de ter sido advogado mas não fui. As escolas nisso têm um papel fundamental. Devem orientar e não só ensinar. Sabemos que algumas freguesias têm evoluído, mas é pouco.
A população está a diminuir a olhos vistos. Já tivemos 35 mil habitantes e hoje não chegamos a 15 mil. No entanto, parece que temos 10 mil veículos. Isto implica um desgaste, num futuro próximo, da economia e da actividade.
(…)
Analisando o seu concelho antevê um futuro risonho?
EA: Não o vejo com perspectivas de desenvolvimento. Há localidades a desenvolverem-se mais do que outras mas é um desenvolvimento aparente. Antigamente havia o regresso de muitos emigrantes que adquiriram muitas propriedades. Hoje eles já não voltam e os terrenos estão abandonados.
O concelho, à semelhança de outros, tem perdido pessoas e sobretudo alguns serviços…
EA: Pois perderam. Se perderam serviços perderam pessoas. Deixou de haver um elo de ligação.
(…)
O whale watching não pode ser um importante pólo dinamizador do desenvolvimento das Lajes?
EA:
Não, porque não está organizado devidamente. As pessoas vêm aqui de visita, vêem as baleias e vão embora. O que é que eles deixaram?
Deixaram apenas ao operador o dinheiro da viagem. Se houvesse novos estabelecimentos hoteleiros que os recebessem e que eles se mantivessem cá por alguns dias, era diferente. Assim não.
É preciso trazer gente para as Lajes e para o Pico?
EA:
É importante fixá-la ou pelo menos mantê-la durante algum tempo. A própria restauração e a hotelaria têm de ser modificadas.
Julgo que as residenciais são um erro e nem todos aproveitam o turismo rural. A vinda de meia dúzia de casais durante o Verão não resolve o nosso problema. Os turistas necessitam ter hotéis que os recebam porque os estrangeiros não conhecem os estabelecimentos com a designação de residenciais. No estrangeiro estive em hotéis inferiores às residenciais que aqui temos, no entanto eram classificados de hotéis.
(…)
O estatuto de património da UNESCO da Vinha do Pico e da eleição das 7 Maravilhas Naturais da Paisagem Vulcânica do Pico podem dar um empurrão ao desenvolvimento?
EA:
Não queria ser maldizente. Quando foi da Autonomia concordei que se acabasse com os distritos porque as ilhas capitais eram um travão ao desenvolvimento das outras ilhas. Desenvolviam as sedes dos distritos e as outras ficavam paradas no tempo. Acabaram-se os distritos, mas não houve mudança.
O projecto, naquela altura, era um governo rotativo com uma delegação em cada ilha e cada ilha ia desenvolver-se a si própria. O que aconteceu foi uma centralização em São Miguel e em parte outra na Terceira. Até o próprio Faial não é de gente do Faial. Eles vêm de fora ocupar os lugares.

O processo autonómico falhou?
EA:
Foi uma decepção.
Não cumpriu os desígnios inicialmente traçados?
EA:
Não cumpriu.
Em relação à paisagem da vinha classificada como património da UNESCO e à eleição da paisagem vulcânica como uma das 7 Maravilhas…
EA:
Não sei responder a esta pergunta porque não sei o que é que o Pico vai lucrar. Turisticamente não sei quais as vantagens a tirar. Os turistas vêm na lancha da manhã, sobem o Pico e voltam à noite para o Faial. É preciso agentes operadores no Pico para obrigar as pessoas a cá ficar.

É preciso obrigar as pessoas a pernoitarem na ilha?
EA:
Evidentemente. O que se vê é a ampliação do Porto da Madalena para assegurar ligações com o Faial.
A Madalena não vai lucrar com as reparações no Porto. Quando trabalhei na Madalena as camionetas iam a cima do cais apanhar os turistas para uma volta à ilha e nem paravam no centro da vila. Insurgi-me contra essa situação pedindo ao presidente da Câmara que obrigasse as pessoas a descerem da camioneta no centro da vila. Julgo que hoje continua a ser o mesmo. O que lucramos com este tipo de turismo?
Nas Lajes nem sequer entram na rua principal. Um turismo assim organizado não dá garantias de futuro.

Excertos da entrevista de David Silva Borges In Ilha Maior de 8 de Outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

Turismo de Portugal Atribui Medalha de Mérito Turístico a Serge Viallelle

O Turismo de Portugal atribuiu nas celebrações oficiais do Dia Mundial do Turismo, em cerimónia realizada no Casino da Figueira da Foz, a Medalha de Mérito Turístico, Grau Prata, a Serge Viallelle.

Serge Viallelle diz que chegou ao Pico “de iate”. Não saiu mais.
Foi há vinte anos e nessa altura a ilha era muito diferente. “Não havia telefones públicos, só na polícia. E aqui em frente, o chão ainda tinha ossos de baleia”.

O francês Serge Viallelle encantou-se pelo local e não foi capaz de partir.
Em conjunto com João Vigia, foi o primeiro a apostar no turismo voltado para a observação dos cetáceos que, apesar de já não serem alvo de caça, continuam a aparecer ao largo do Pico todos os anos.

Comprou uma casa mesmo em frente à baía e alargou a actividade de observação de golfinhos e baleias à hotelaria, com a aquisição de uma residencial logo ali ao lado.

Hoje, o pioneiro do turismo ligado aos cetáceos no Pico diz que está “numa fase de culpabilidade”. Porquê? “O turismo de massas ainda não chegou cá mas vai chegar. Não sei o que vai ser disto nessa altura”.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CENTRO DE RECRUTAMENTO Baixa escolaridade açoriana impede ingresso na Força Aérea

A baixa escolaridade da população açoriana compromete a carreira nas forças militares aéreas.
O chefe do Centro de Recrutamento da Força Aérea, de passagem pela ilha Terceira para acompanhar a acção do Dia da Defesa Nacional, vai contactar com escolas profissionais e centros do emprego para reforçar o quadro de pessoal com jovens açorianos.

Os Açores são das zonas do país que menos contribuem para os recursos humanos da força aérea.
As exigências da formação militar e a baixa escolaridade da população açoriana são os dois principais factores que retiram a representatividade insular deste ramo das forças armadas portuguesa.

Isso mesmo referiu ao jornal “a União”, o chefe do Centro de Recrutamento da Força Aérea, coronel António Delfim: “a população nos Açores tem uma característica em termos de escolaridade baixa em relação à média nacional.
Nós, na Força Aérea, temos exigências que, até há dois anos, passavam pelo 11.º, 12.º anos.
Na nossa estatística, os Açores são das zonas do país que menos contribuem para o pessoal da Força Aérea, embora tenhamos cá pessoal oriundo do arquipélago, mas devido às exigências, temos tido dificuldades”.

Dificuldades, refere, que levaram os responsáveis militares a baixar a escolaridade mínima de ingresso: “baixámos o patamar de entrada, que passou a ser o 9.º ano, e agora temos mais gente”.

O chefe do Centro de Recrutamento da Força Aérea refere mesmo que, na sua passagem pela ilha Terceira ao longo desta semana, que deu arranque à acção do Dia da Defesa Nacional, assinalado na passada segunda-feira, efectuou um contrato com um açoriano:
“Já tive a oportunidade de contratar um jovem que entrou para a Força Aérea que é de São Miguel e que está aqui na B.A. n.º4”.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Escrevo do Pico

Escrevo Pico e qualquer coisa me sacode. Um abalo; um garajau levan­tando voo da falé­sia hasteada no meu sangue; um milhafre planando e a conjugar seus pios altos; uma cagarra entornando seu grito de cio num ouvido oculto do corpo; ganhoas sobrevoando a fome por cima dos cardumes, nas águas do canal; um barco acostando-se ao cais, outro zarpando; São Jorge dando o roxo por não roxo, trajando-se de outras vestes compro­metidas com novas cores… A Ilha do Pico ficou-me vazada nos olhos, vislum­bram para além do que me cerca, não obstante a cor­tina invisível da rea­lidade que ora me circunda em istmo, se obs­tine em tapar-me o sonho… Alcanço com nitidez de vidente os cami­nhos do mato, seus fetos gigan­tes, sua vegetação endémica, única, a paisa­gem por vezes lírica e sempre trágica… Nas narinas repousa-me ainda o persua­sivo e afro­di­síaco aroma da roca-da-velha, roca-de-vénus, e o de outras plantas e árvo­res e flores silvestres, cheiros mestiçados, lúbricos, endoi­dam a carne fraca do cate­cismo, o san­gue e o desejo de apagar-me por com­pleto, por instan­tes, para sur­gir rejuvenescido na plenitude do instinto, limpo e animal… As poças… Contemplo a pele e sinto escorrer-se-me a água diáfana do mar enigmático e raro, nem sem­pre bonacheirão, desde o berço me embalou, ora com voz cava de pai ora com a meiga de mãe (ele é feminino em certas lín­guas, e no Francês tem o mesmo som de mãe: la mer) ao longo das noites em que o sono e o sonho do antigo corpo adormeceram… Redescubro-me na Ilha que demando em nau de velas pandas. Hei-de arrecadá-la no silêncio avaro da casa dos botes: existe sem­pre uma redes­coberta a empreender e uma viagem renovada à minha espera…

domingo, 12 de setembro de 2010

Alô Vidiguera, já GANHÁMOS!!!

Pico e Sete Cidades eleitos maravilhas naturais de Portugal

A gala das 7 Maravilhas Naturais de Portugal decorreu hoje em Ponta Delgada.
Num espectáculo de duas horas e meia, que decorreu em Ponta Delgada, foram anunciados os vencedores do concurso 7 Maravilhas Naturais de Portugal.

A paisagem vulcânica do Pico, na categoria de grandes relevos, e a Lagoa das Sete Cidades, na categoria de Zonas Aquáticas Não Marinhas, foram as duas "maravilhas" eleitas das cinco zonas açorianas a concurso.

Na categoria Praias e Falésias, o vencedor foi o Portinho da Arrábida, na região de Lisboa ao passo que na categoria Florestas e Matas, a vencedora foi a Floresta Laurissilva, da Madeira. Na categoria de Grutas e Cavernas, o título foi entregue às Grutas de Mira de Aire, tendo a Ria Formosa vencido na categoria de Zonas Marinhas e nas Áreas Protegidas o eleito foi o Parque Nacional Peneda do Gerês.


In Jornal Diario


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Estaleiros de Peniche com 49% da Naval Canal

Os Estaleiros Navais de Peniche vão adquirir 49 por cento do capital social da Naval Canal, empresa de construção naval do Pico, tendo em vista o desenvolvimento deste sector nos Açores, anunciou sábado o Governo regional.

O Conselho de Governo aprovou a aquisição pela Administração dos Portos do Triângulo e do Grupo Ocidental de 49 por cento do capital da Naval Canal, autorizando ainda a sua venda aos Estaleiros Navais de Peniche.

O vice-presidente do executivo açoriano, Sérgio Ávila, que apresentou em Ponta Delgada as conclusões da reunião do Governo, destacou a “importância do conhecimento e da experiência” que os estaleiros de Peniche vão trazer para a região.

Segundo Sérgio Ávila, o Governo regional “aposta no desenvolvimento” do sector da construção naval, que considera ser “estratégico” para o arquipélago.

A venda de 49 por cento do capital na Naval Canal aos Estaleiros de Peniche permitirá ainda proceder a uma reestruturação da empresa açoriana, garantindo “a manutenção da infraestrutura existente, a promoção dos estaleiros, o alargamento da prestação de serviços e a criação de emprego qualificado”.

Noticia retirada daqui