quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Por que se excluiu a Filarmónica Liberdade Lajense da inauguração do Porto de Recreio de Lajes do Pico?

É consensual: A Direcção Regional da Cultura, ou quem organizou a inauguração do Porto de Recreio de Lajes do Pico, deve um esclarecimento aos lajenses, por não ter convidado a nossa filarmónica a actuar, no passado dia 8 de Junho.

A FLL não é uma banda qualquer para os lajenses. Tem mais de 100 anos de história, bons tocadores, é a banda que ouvimos tocar, ainda no colo das nossas mães, nas festas e na qual participam, ou já participaram, os nossos entes queridos e amigos.

Pode nunca ter chegado a ser uma orquestra sinfónica, mas também nunca maltratou um paso doble, uma marcha e muito menos um hino.
Qualquer outro comentário sobre a sua qualidade musical é de uma enorme ingratidão para com todos os tocadores, que muito honram os lajenses.

Como lajense, orgulho-me da dedicação e espírito de sacrifício de todos os seus sócios, gerentes ou tocadores, que nunca pedem, nem ganham nada, mas dão sempre em troca uma imensa alegria. Enfim, muito ao contrário de outros intervenientes que ficarão associados a esta inauguração.

Reparem, esta não é uma mera questão de animação, pois não nos queixamos da falta de foliões, nomeadamente, na colaboração, sempre prestável, de Carlos César.
Mas, todos os lajenses desejavam ouvir os sons da sua terra nesta ocasião solene, pronto.

Se a ausência da FLL foi uma medida de “quero posso e mando” na ingerência dos órgãos sociais de uma instituição a caminho dos 150 anos, então que nos cuidemos pelo que nos pode advir, nos próximos quatro anos de governo.

Contudo, uma coisa parece óbvia, a FLL serviu de bode expiatório a situações que lhe são totalmente alheias.

Na tentativa de contribuir para o esclarecimento desta questão, Cláudio Lopes (CL), no artigo “ Uma inauguração e peras...” de 19 de Junho de 2008 do jornal “O Dever”, mostra-se surpreendido com o desfecho desta situação.

E avança mesmo com a sua demissão da direcção da FLL, para se demarcar de um comentário anónimo do blog Lajes do Pico, o qual atribui a CL responsabilidades na ausência da FLL, com a desculpa de esta filarmónica não saber tocar o Hino dos Açores.

Consideramos a demissão um acto desproporcionado, senão vejamos: Se algum comentador disser, por exemplo, que CL não defende, convenientemente, os eleitores do Pico que nele depositaram confiança, acaso ele irá demitir-se dos cargos que ocupa?
Eventualmente se demitiu da presidência da CMLP, sempre que surgia um comentário desfavorável? Então por que se demite agora?

E, continuando a ler o artigo, somos surpreendidos com a intenção do nosso ilustre conterrâneo querer processar em tribunal o Gestor do blog, por este ter permitido o referido comentário.

Pasmámos, pois sabemos que muitos blogs declaram não se responsabilizarem pelo teor dos comentários proferidos. Sabemos também que o blog Lajes do Pico, embora com uma orientação política diferente da minha, é responsável e, regra geral, elimina os comentários atentatórios ao bom nome dos cidadãos. Mas, daí a censurar um comentário deste tipo, vai uma grande distância.

Aliás, lendo o referido artigo de “ O Dever” podemos observar afirmações como “Ouvi que houve comida e bebida à fartazana...” e “Ao que me contaram, próprio de quem não gere responsavelmente o dinheiro que é de todos nós...”. Enfim, afirmações baseadas no “ouvi” e “contaram-me” que em nada se distinguem, na forma, do boato referido.

Ora, sabendo que o nosso distinto parlamentar é uma pessoa inteligente, interrogamo-nos se, além de mover em tribunal um processo contra o blog, irá também processar-se, a si mesmo, como fonte de mais dois boatos.

Enfim, lamentavelmente, tanto o Governo Regional como CL, em vez de optarem por fazerem bons trabalhos nos respectivos cargos para que foram eleitos (FLL e Governo), decidiram utilizar, injustamente, a FLL como arma de arremesso, na campanha eleitoral que há muito se iniciou.

E, ao nos calarmos, ou ao fazermos conta de que esta situação não é nada connosco, passamos a ser coniventes com todo este processo.

1 comentário:

M Rodrigues disse...

Bravo!
Se estivessemos a falar diria que, "quem fala assim nao e gago", mas como estamos nos blogs, direi que, "quem escreve assim nao e dislexico".
Afinal sempre ha "quem nao tenha medo da sua sombra".
Pelas Lajes comeca a ser tempo de falar sem medo de censura, e sem agendas politicas.