domingo, 21 de setembro de 2008

Expliquem-me como se eu fosse mesmo muito, muito...

Ilhas com maior número de eleitores:

Consultando o Mapa Oficial n.º 2/2008, com o número de eleitores na Região, número de deputados a eleger para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e a sua distribuição pelos círculos eleitorais, verificamos que as ilhas com maior número de eleitores são:
Círculo São Miguel . 102 503 eleitores (19 deputados)
Círculo Terceira . . .45 324 (10 deputados)
Círculo Pico . . . . .11 611 (4 deputados)
Círculo Faial . . . . 11 535 (4 deputados)

Como podemos constatar, o Pico é a terceira ilha com maior número de eleitores, logo a seguir à Terceira e S. Miguel.

É imprescindível que este número votantes, traduzido no respectivo número de deputados, se reflicta num peso político real, de modo a desenvolver a ilha.

Por outras palavras, é mais que justo que a nossa ilha seja também a terceira ilha dos Açores em investimento público.
Repetimos, se tem cabido mais investimento a S. Miguel e Terceira, fruto da sua dimensão, logo a seguir deve vir o Pico, pelos mesmos critérios.
Não há, actualmente, qualquer outra razão objectiva para nos sujeitarmos a tanto deficit.

É certo que já houve razões históricas para que a concentração do investimento do grupo central se efectuasse numa única ilha.
Pois, os nossos vizinhos dispuseram da única grande baía e ancoradouro do grupo central, ao longo de séculos.

Dizia-se mesmo que o grupo central tinha dois portos: o da Horta e o mês de Agosto.
Mas isso já foi chão que deu uvas, pois, devido aos progressos em infra-estruturas, nomeadamente em portos e aeroportos, esta questão já não se coloca.

Se permanecêssemos no tempo de Salazar/Marcelo Caetano, em que um governador de distrito centralizava o poder, sem ter de responder perante um parlamento regional, eu achava que a manutenção desta situação fazia todo o sentido.

Mas, após o 25 de Abril, veio a autonomia e o desenvolvimento que alteraram por completo este obscuro jogo de forças.
No entanto, os antigos hábitos de subserviência e de temor reverencial pelos do outro lado do canal, subsistiram dentro do nosso parlamento.

Urge desmistificá-los.
Interrogo-me se, a melhor maneira de o fazer, não será dando o nosso apoio incondicional aos nossos representantes, de modo a que, nesta negociação, se sintam mais picoenses.
Pois, sentindo o apoio dos seus eleitores, quem não será mais firme e determinado na defesa daqueles perante os quais tem a obrigação de defender?

É preciso que os parlamentares do Pico, que serão cinco na próxima legislatura, consigam o terceiro maior investimento público dos Açores para a nossa ilha, como consegue a Terceira o segundo e S. Miguel o primeiro.

Pois, será necessário dotar a ilha de mecanismos de decisão e excelência análogos aos da Terceira e S. Miguel.

Só assim se poderá criar empregos qualificados, para que os nossos jovens não tenham de abandonar a ilha.
Só assim se acabará com a desertificação humana da ilha, o maior problema do Pico.

Ou então, se o único papel que nos cabe é o de sermos ultrapassados por aqueles que têm uma população idêntica, um menor número de eleitores e uma dimensão de território bastante inferior, ao menos, tenha-se a decência de eliminar o parlamento e voltar a nomear governadores, restabelecendo, assim, os distritos.

Será um processo mais transparente, menos oneroso para o erário público e com o mesmo resultado para os picoenses.

A não ser que eu esteja muito errado e então peço, encarecidamente, que me expliquem, como se fosse mesmo muito burro!

6 comentários:

eu quero ser Califa disse...

Combater a abstenção é importante.

Fazer no Pico os investimentos necessários é muito importante.

Agora, isso não se pode traduzir num critério mecânico ("somos a 3ª ilha, logo a 3ª maior fatia de investimento)).

Só haverá verdadeiro desenvolvimento no âmbito do arquipélago. Não há progresso sem coesão. Tem de haver solidariedade regional.

Anónimo disse...

E a verdade foi dita" NÃO HÁ PROGRESSO SEM COESÃO".
Agora se entende porque razão no Pico não há "progresso".
Ele, por decisão do G.Regional foi uma das ilhas que não fez parte do chamado "ilhas da coesão".
Afinal esté tudo entendido. e "o burro sou eu"?

artur xavier disse...

Não há progresso sem coesão e, se me permitem, sem JUSTIÇA!
... e NÃO HÁ FORMA DE INVERTER ESTA TENDENCIA?!
Brademos aos Céus, se preciso fôr mas nunca, por nunca, deixemos caír os braços (E a voz!)e se tiver-mos de morrer, façamo-lo como as árvores. De pé! De cócoras, é que não pode ser.

Jose Augusto Soares disse...

Texto muito interessante e pertinente.
Mesmo que não haja uma relação directa entre o número de eleitores e o investimento público efectuado, há pelo menos uma reserva moral que nos fica.
Fomos prejudicados no tempo da "velha senhora", mas ela já morreu há 34 anos...
Pouco me interessa se somos ou não de "coesão". Sei é que as potencialidades do Pico estão, de há muito, a amedrontar quem não tem para oferecer nada que se compare.
Se partimos do princípio que cada um tem o dever de pugnar pela sua terra, cumpramos então o nosso dever de clamar por Justiça.
Todos.
Não só os dos partidos da Oposição. Porque em democracia, tanto se pode contribuir no Poder ou fora dele, para o progresso.

Paulo Pereira disse...

Concordo consigo em todos os aspectos.
Também acho que é importante combater a abstenção de ideias. É importantíssimo lutar contra a abstenção do “sempre foi assim e sempre será”, etc, etc...
O critério do “ somos a terceira ilha merecemos o 3º orçamento” é, obviamente, uma referência.
Para combater o secular atraso podemos beneficiar, certamente, do 2º, ou mesmo o primeiro lugar. Contudo, penso que seria extremamente injusto para a Terceira e S. Miguel se beneficiássemos continuamente do 1º ou segundo lugar, não acha?
Já agora, digam-me, não será igualmente injusto se ocupássemos eternamente o 4º lugar? Especialmente quando este nem chega aos calcares dos investimento do 3º.
A não ser que haja aqui alguma predestinação não inteligível - alguma estrela de David agrafada ao peito, ou uma melanina epidermicamente mais abundante – responsável por tal segregação.
Cumprimentos

Paulo Pereira disse...

Caro Califa,
o comentário acima vem em resposta às suas pertinentes alegações.