sábado, 7 de fevereiro de 2009

WEGENER: Gostaria de agradecer ao eventual soldado português que me deu um tiro

Entrevista imaginária a Wegener

P: Doutor Wegener, onde e quando nasceu?
Wegener: Nasci em Berlim no ano de 1880.

P: Qual era a profissão do seu pai?
Wegener: Meu pai era pastor da igreja protestante.

P: Gostava de estudar?
Wegener: Sim, muito. Estudei na Universidade de Berlim, Heidelberga e Insbruque.

P: Que curso frequentou?
Wegener: Estudei Astronomia e licenciei-me aos 25 anos, seguidamente fiz uma tese de Doutoramento.

P: Permaneceu solteiro, casou, ou esteve em união de facto?
Wegener: Casei-me com Else Koppen em 1913.

P: Qual foi a sua principal ocupação no ano de 1914?
Wegener: Em 1914, a Alemanha entrou na I Guerra Mundial e eu fui combater como soldado.

P: Combateu durante muito tempo?
Wegener: Nem por isso, fui ferido no início e fui internado num hospital. Foi assim que tive tempo para escrever o livro A Origem dos Continentes e dos Oceanos.

P: Então podemos considerar que o inimigo acabou por prestar um favor, a si e à ciência, uma vez que lhe “deu” disponibilidade para escrever?
Wegener: Ah! Ah! Francamente nunca tinha pensado nisso. Estes entrevistadores bloggers...

P: Uma vez que Portugal enviou soldados para combater a Alemanha durante a I Guerra Mundial, acha possível ter sido ferido por um português?
Wegener: Bem... Existe alguma possibilidade, ainda que muito remota. No entanto, não é uma hipótese a excluir, até porque o ferimento foi ligeiro e Portugal possuía armas pouco potentes.

P: Por que é que a Gronelândia, desde sempre, lhe despertou grande interesse?
Wegener: Bem, eu estava interessado em estudar a circulação de ar nos pólos. No entanto, não escondo que me divertia imenso a esquiar naquela infinidade de gelo.

P: Quais são os seus desportos favoritos?
Wegener: Sempre gostei de esquiar e de fazer alpinismo.

P: Além da Gronelândia, que outro local gostaria de explorar?
Wegener: Gostaria muito de subir a montanha do Pico.

P: Mudando de assunto, em que consiste a sua teoria?
Wegener: Propus que os continentes actuais estiveram unidos no passado, formando um supercontinente denominado Pangeia.

P: Que argumentos apresentou para defender esta teoria?
Wegener: Apresentei argumentos geográficos, paleontológicos, paleoclimáticos e geológicos.

P: Por que é que alguns eminentes cientistas da época consideraram a sua teoria ridícula e inadequada?
Wegener: Talvez por haver um sentimento anti-germânico após a I Guerra, ou ainda por a igreja ter muita influência e defender a criação do mundo segundo os relatos bíblicos. Também devido à minha formação académica não ser da área da Geologia. Contudo, não devo esconder que tive dificuldades em esclarecer a origem da força que separou os continentes.

P: Sentiu-se humilhado perante estas críticas violentas?
Wegener: Não, apenas percebi que necessitava de trabalhar mais para consolidar a Deriva.

P: Desejamos, desde já, agradecer a sua entrevista e saber se quer deixar uma mensagem final aos nossos leitores?
Wegener: Desejaria que, tal como eu, nunca desistissem perante as dificuldades da vida e, sobretudo, que fizessem o seu melhor, onde quer que se encontrem.

"...é como se tudo passasse ao recortarmos uma folha de jornal. Basta apenas juntarmos os pedaços para encontramos os segredos da Terra...” Alfred Lothar Wegener.

3 comentários:

geocrusoe disse...

tal como darwin não era bem biólogo mas esta ciência é que evoluiu com a sua teoria. wegener, que não era bem geólogo, também foi esta ciência que repescou a sua teoria para evoluir, e ambos encontraram os mesmo tipos de inimigos iniciais.

Jose Augusto Soares disse...

Engraçada e original, esta "entrevista".
Em muitas épocas, os descobridores de algo foram menosprezados pelos seus contemporâneos.
E a História repete-se.

Patriota d'uns actos disse...

Sr Basalto, que raio de ideia é essa de entrevistar um home que propunha Nova Iorque como a continuação de Lisboa!
Sr Basalto, se, vosselência anda mesmo à procura de ideias inacreditáveis, então entreviste imaginariamente os candidatos a candidatos a autarcas.
Verá que estes têm coisas mais assombrosas para dizer, embora não o digam.
Há quem prefira usar um discurso autista para não assombrar ninguém até chegar ao pretendido.
E olhe, vosselência, que é por estas e por outras que esta terra da lepra só anda p’ró lado, c’mo caranguejo.
Não anda p’rá frente, nem p’ra trás c’más outras.