sábado, 19 de dezembro de 2009

Reconhecimento de uma realidade: um testemunho

Não tendo por hábito entrar em polémicas políticas, nem tão pouco usar os jornais como suporte de escrita, por estar mais habituada à utilização de uma linguagem científica que não se coaduna muito com o estilo jornalístico, abstive-me até este momento de publicamente expressar o meu reconhecimento a quem julgo de direito.

Tomando, no entanto, conhecimento, através da comunicação social, de que se está a querer apagar o mérito de uma obra feita, resolvi, a favor daquilo que considero um acto de justiça, vir aqui hoje prestar o meu depoimento de gratidão.

Nasci orgulhosamente na ilha do Pico. Ainda hoje, passados tantos anos de ausência física permanente, me emociono sempre que regresso.
Tenho acompanhado assiduamente o desenvolvimento (quantas vezes mais lento do que todos gostaríamos) da nossa Ilha.

Nos últimos anos tenho constatado que tem havido um esforço conjugado e lúcido por parte dos responsáveis autárquicos no sentido de que os bairrismos doentios deixassem definitivamente de travar o desenvolvimento tão desejado por todos.

As barreiras que se foram erguendo durante demasiado tempo têm sido ultrapassadas através do reconhecimento de que todos juntos valemos muito mais do que isolados.

Apraz-me verificar que muitas vozes se erguem pela ilha mais do que pelos concelhos. Não venho aqui entrar no foro da justiça, das legalidades ou ilegalidades cometidas, para as quais não tenho competência jurídica.
Os órgãos próprios que o façam de forma igualitária para todos os cidadãos.

Venho, no entanto, reconhecer que com horas contabilizadas ou não a vila das Lajes deu, nos últimos anos um salto qualitativo.

O desenvolvimento não é só betão a granel.

A qualidade da obra feita e os eventos promocionais da cultura são o maior tributo que se pode deixar para a posteridade.

As estruturas arquitectónicas de alta qualidade que se ergueram nesta vila não podem, de forma alguma, deixar de serem reconhecidas por todos, só por que quem as impulsionou não comunga das nossas aspirações políticas.

Acima de tudo a verdade dos nossos juízos.

Orgulhemo-nos porque essas obras têm reconhecimento que extravasa a ilha e a região.

O impulso literário e científico que emanou desta vila é visível, é palpável, e merece continuidade.

Reportando-me especificamente aos eventos de cariz científico quero aqui testemunhar que sempre encontrei aqui (nas Lajes), bem como nos restantes concelhos, uma abertura e sensibilidade extraordinárias para acarinharem e apoiarem todas as iniciativas desse âmbito que com muito empenho tenho trazido para a ilha do Pico.

Porque só parecemos valer quando o poder nos está na mão, e passamos de heróis a crápulas muitas vezes pelos mesmos que em abraços de conveniência nos bajularam, quero neste momento distanciar-me desse tipo de pessoas e dizer ao Dr. Carlos Alberto Machado e à Sra. D. Sara Santos que os felicito pela obra que deixaram, agradecer-lhes toda a disponibilidade com que sempre me trataram e desejar-lhes as maiores felicidades pessoais e profissionais.


Zilda França In Ilha Maior de 18 de Dezembro de 2009

5 comentários:

Anónimo disse...

Uma coisa é a população inteira de um concelho que não é da classe científica;
Outra coisa é um reduzido grupo de científicos;
Quando se toma a cargo um concelho olha-se para o maior número e não para meia duzia que nem residem na área concelhia. O grande defeito da Govertnação anterior foi dar aos poucos que residem fora aquilo que deveria ter fieto ao grande numero dos que vivem dentro.

Jose Augusto Soares disse...

Não desdenahria ter assinado as palavras da Professora Zilda.

Anónimo disse...

O povo nao quis um concelho para turista ver! É muito bonito vir aqui a uma conferencias, ficar na aldeia da fonte ou no pocinho, ir ao ancoradouro e depois ate para o nao. Para esses tanto faz que chova ou faça sol... Para quem vive cá todo o ano parece que tem outras ideias!!! ps: também eu gostava de viver no continente e que todos os meses alguem nas ilhas com o dinheiro dos contribuintes me depositasse 2 mil euros na minha conta!!! Acabou!!!

Anónimo disse...

"eles corrompem mas fazem..."

Uma triste vocação. Uma visão redutora do exercício da democracia.

Um pouco mais de respeito pelos cidadãos do Concelho das Lajes p.f.f.

Oportunistas nunca mais!

Bom Senso disse...

O bem estar das populações (acessibilidades, habitação, bem estar, entre outras)tem que estar primeiro que qualquer brincadeira.
Assim premeia-se quem trabalha, e só depois as brincadeiras. Vejam o que fez e muito bem Rui Rio no Porto, a teoria de que se deve fazer cultura a qualquer preço (mesmo que num espetáculo/conferência, estejam só meia dúzia de pesssoas) não vai comigo.
Usar o dinheiro dos nossos impostos para pagar passagens, caches, a sanguessugas que vem cá pensando que somos todos parolos, e claro, depois ainda descaradamente nos atiram areia para os olhos, tentando desviar as atenções da actual realidade (divida) do concelho para manterem os seus intereses. Não comigo não, façam como eu VÂO TRABALHAR.