segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Preservar memórias




Lajes do Pico apresenta um conjunto de casas bonitas. Infelizmente, algumas delas vão desaparecendo.
Quem não se lembra, por exemplo, da linda casa do sr Cavalheirinho, que foi destruída para dar origem ao actual edifício dos CTT?
Foi um pouco de história que se perdeu, da qual restam apenas as nossas memórias.
De cada vez que regresso às Lajes, noto que algo se perdeu: a casa da sra Maria Natália, a bancada de pedra da Rua Nova...

Não quero entrar em polémicas. Apenas desejo contribuir para a valorização de um conjunto de casas da nossa vila, de modo a que os donos sintam orgulho em preservá-las, nos próximos anos.
Obviamente, com o passar dos tempos, surge a necessidade de dar novas utilizações às antigas habitações, não ignoramos.
Ora são acrescentadas casas de banho, marquises, garagens ou mesmo espaços comerciais.
Sabemos que o mundo não pára, contudo, achamos importante manter a traça de alguns destes edifícios.

Assim, convidamos todos os internautas, entendidos ou amadores como eu, a darem as suas opiniões relativamente à pertinência da manutenção destes imóveis.

4 comentários:

Juliana Couto disse...

Aqui estou respondendo ao seu desafio...
De facto concordo consigo quando refere que é "importante manter a traça de alguns destes edifícios" e é mesmo possível e urgente fazê-lo mesmo que haja a necessidade de readaptar a novas funções. O que sucede é que por vezes os proprietários destes imóveis não dão o devido valor ao que têm em sua posse, ou carecem de poder económico para a elaboração de uma correcta e genuina recuperação. Na realidade uma boa intervenção não é acessível se quisermos realmente ter atenção a pormenores e à história dos imóveis. E isto de uma "boa" intervenção tem muito que se lhe diga, não é deixar ruir e construir de igual forma em blocos de betão porque a lei exige ou para ficar com a fachada igual, como tem acontecido muito em Angra infelizmente... Enquanto não se perceber que a história e valor do imóvel está nas suas pedras, na sua estrutura original, nos seus nichos, e até nas suas vivências, jamais se poderá manter esta arquitectura tão sábia e consistente.
Penso que nas Lajes do Pico, tal como em Angra do Heroísmo e outros núcleos açorianos, deveria existir um programa à semelhança do que está em vigor em Ponta Delgada (REVIVA-Programa de Revitalização Económica e Social do Centro Histórico de Ponta Delgada). Este programa visa apoiar o dono de obra atribuindo-lhe facilidades camarárias, benefícios fiscais e até isenção de alguns impostos temporariamente. Não seria a solução milagrosa, mas poderia incentivar ao investimento de privados reabilitando os núcleos existentes e cada vez mais desertificados. Esta medida seria uma mais valia, numa altura em que as térmitas assumem a forma de sismo lento... e quando dermos por nós pouco restou do nosso Património.

Jose Augusto Soares disse...

Sou leigo na matéria.
Contudo, penso que os diversos Patrimónios constituem a base de qualquer Cultura, e assim sendo, se se pretende salvaguardar e reforçar esta, há que preservar aqueles.
Imperando o bom-senso, e disponibilizadas as verbas necessárias para que do desejável se passe ao realizável, quero crer que é preocupação de qualquer autarquia, ou de qualquer Governo, deixar para os vindouros os traços fundamentais da sua História.
Evidentemente que ocupando a Cultura uns míseros e clássicos 1% do Orçamento de Estado, este desiderato é meramente teórico e politicamente correcto.
No entanto, e para ser justo, direi que nas Lajes temos assistido a um esforço meritório na recuperação do Património imóvel, sendo flagrantes os exemplos.

rui raposo disse...

Tive apenas um dia na vossa vila, mas deu para me apaixonar! É linda, e merece toda a vossa paixão - nesse e noutros temas também importantes. A questão da preservação da identidade (formal) dos sítios está muito em voga por todo o país, e principalmente em vilas que, como a vossa, enfrentam esse "bicho" a quem, erradamente, chamam progresso. Na realidade, é esta a altura de definir estratégias que NUNCA ponham em causa aquilo que vos define. Nós, de forma muito ligeira, podemos dar ua ajuda...

Para finalizar, duas coisinhas:
- quem são os proprietários das casas nº 1 e 3? são lindas!!!

- o programa reviva não tem qualquer critério na atribuição de benificios fiscais. Tanto isenta de taxas municipais um excelente obra de recuperação, como uma má intervenção urbana, com grandes semelhanças a loteamentos...

Rui Oliveira Raposo

Juliana Couto disse...

Concordo com o Sr. Rui Raposo, mesmo quanto ao que refere em relação ao REVIVA. Já ouvi falar em situações semelhantes...
No entanto, penso que o "conceito" do programa não deve ser desmerecido por isso. Deveria caber às Entidades licenciadoras equilibrar e premiar apenas os bons projectos e intervenções. Não conheço em profundidade o programa, mas talvez as suas "regras" estejam mal redigidas e pouco claras dando aso ao oposto a que se pretende: revitalizar e reabilitar o centro histórico de Ponta Delgada... mas, claro está, outros "interesses" se alevantam...