terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sobre coisas lepras, moscas de verão, mosquitos e outros bichos

Foto retirada daqui

Foi com orgulho que li em http://jcarquitectura.blogspot.com/ que, no passado dia 6 de Setembro, o jornal Expresso publicou um artigo de José Manuel Fernandes, em que este arquitecto refere dez bons exemplos de arquitectura nos Açores e Madeira.

Assim, neste TOP dos dez mais foram referidos:

6º - GRUTA DAS TORRES, NA MADALENA DO PICO de INÊS VIEIRA DA SILVA E MIGUEL VIEIRA, 2003-05.

8º - POSTO DE TURISMO E ÁREA DE LAZER NO FORTE DE SANTA CATARINA E CAPELA RAINHA SANTA ISABEL NA ALMAGREIRA (COM TERESA ROBALO),LAJES DO PICO de RUI JORGE PINTO, 2003-05 E 2006.

(...) A capela, alcandorada sobre a encosta rural, a olhar a ilha e o mar, é uma simples «caixa» de betão e vidro, cuja eficácia, como espaço simbólico e sagrado, lhe advém exactamente da pureza da solução espacial.

Ficámos, assim, agradavelmente surpreendidos por três destes projectos terem sido realizados no Pico.
Sobre o último, a Capela Rainha Santa Isabel, muito discussão houve. Contudo, uma coisa parece ter acontecido: A Almagreira foi inserida no mapa da arquitectura insular.

Outras duas obras polémicas, como é próprio da arquitectura moderna, preparam-se para nascer: o Jardim Mágico da Baleia e o Teatro e Centro de Congressos do Pico.

Seria bom que, após as dúvidas levantadas pela população sobre estes projectos e respectivos esclarecimentos técnicos, a discussão não se prolongasse indefinidamente. Pois sabemos que um consenso nesta área parece impossível.

Olhando o passado, lembro-me que a primeira obra do museu foi muito criticada, nomeadamente as torres e a parede branca da oficina de ferreiro. Hoje parece consensual, como boa opção.

Relativamente ao monumento aos baleeiros, parece-me bonito de noite, quando iluminado. Mas de dia, parece-me mais um obstáculo no Caneiro. Enfim, é impossível apresentá-lo de noite e removê-lo de dia...

Já a muralha de protecção e o porto de recreio parecem agredir a ampla baía. A quem, como eu, vai lá no verão é comum ouvir: Estragaram as Lajes com betão. Contudo, sabemos que o objectivo desta primeira obra não é estético, mas como o nome indica, de protecção.

Sobre estes temas, o blog Lajes do Pico pretendeu lançar um amplo debate, com especial incidência no Jardim Mágico da Baleia.

Seria conveniente que a comunidade lajense, que se encontra nas Lajes e nos quatro cantos do mundo, desse a sua opinião de forma franca e descomplexada.

Tendo sempre em conta que o que interessa é o bem das Lajes e que qualquer outro "fait divers" não é bem-vindo.

Teremos maturidade e frieza para encetar esta discussão?

8 comentários:

Anónimo disse...

Uma igreja é um espaço para acolher pessoas. Contribuir para o seu recolhimento. Tem a ver com a fé que se pratica, e não com a "purexa da solução espacial", ou quejandos. Aquela Ermida é uma afronta aos crentes. Dentro é um forno, não tem espeços para nada. Nem uma urna de defunto lá pode entrar para a última visita!
Arquitecturas daquelas são para outras áreas da vida mundana...

Juliana Couto disse...

Na minha opinião o Pico tem bons exemplares arquitectónicos de que se pode orgulhar para além dos incluídos no Top 10 Açores/Madeira do Arqt. José Fernandes. É um exemplo a seguir pelas outras ilhas pelo cuidado demonstrado na integração das construções na paisagem e no respeito pela "ilha".

Anónimo disse...

Nunca visitei as Lages do Pico, mas ao ver o molhe em blocos de betão que agora a protege da força da natureza questiono-me acerca da intervenção e de "N" outras por todos os açores que, por um lado cumprem o seu papel de protecção do mar, mas por outro não representam, alem da referida nenhuma mais valia. Estas obras podia ser mais do que a palavra "SEGURANÇA", poderia ser belos "POEMAS".

http://br.youtube.com/watch?v=4nISG7iBk-A&feature=related

Jose Augusto Soares disse...

Quero crer que sim, caro amigo.
Acredito que temos maturidade suficiente para discutir os problemas, sem agressões gratuitas e dispensáveis. Evidentemente que a opinião pode não ser consensual, mas por vezes, tal facto até ´´e salutar, pois "da discussão nasce a luz".
Vou deixar aqui expresso, respondendo ao seu desafio, o que penso dos vários empreendimentos que enumera.
Começando pela Almagreira, e mesmo que ganhe todos os prémios de arquitectura possíveis e que integre todas as listagens de património valioso, não gosto.
Leigo na matéria, é puramente pelo aspecto que não me atrai. Não se enquadra na paisagem (basta vê-la da Silveira) e acho excessivamente "ousada" para aquela localização.
O Monumento aos Baleeiros, na ponta do Caneiro, vale sobretudo pelo que significa, homenagem mais que justa aos nossos heróis. Esteticamente também me agrada.
Peço desculpa se erro, mas parece-me que a muralha de protecção da Vila foi acabada à pressa, tal o desalinho dos vários blocos, em que se nota um desalinhamento quase completo. Teria sido possível de outra forma? Não sei. Como está, está feio.
O Jardim que se projecta para o antigo campo de futebol, merece-me aplauso, desde que salvaguardada a não-invasão anual do espaço pelo mar.
Quanto ao Forte de Santa catarina, defendi em público, muitas vezes, o autêntico escândalo que constituia o seu apodrecimento. Entrar nele, hoje em dia, dá-me uma satisfação enorme. E mesmo ao lafo, O centro de Artes e Ciências do Mar, não receia comparação com muitos museus internacionais.
Do Museu dos baleeiros é escusado até falar. Trata-se "apenas" do museu mais visitado no arquipélago.
Finalmente, quanto à Marina, é-me difícil esquecer o que era a "minha" lagoa. Mas a voragem dos tempos e a necessidade de evolução (será?) amputaram, na minha opinião, parte da sua beleza natural.

Aqui tem, caro amigo, a minha resposta ao seu interessante desafio.
Sou "mosca de Verão", mas estou "lá" todo o ano. Em pensamento. E atento.
E acredito piamente, que sem receios, abertamente, sem esconder os nomes e dando a cara, podemos e devemos opinar, em consciência, pelo bem de uma Terra de todos, e que todos querem ver bem desenvolvida.

Anónimo disse...

Sou anónimo também. Importam as ideias, não as pessoas.
Apenas um pormenor: as casas, edifícios, têm sempre uma finalidade. Específica. No caso da Ermida, que tantos elogiam, só acrescento que nela falta tudo o que a deve identificar como lugar de culto cristão: dentro, nada aponta para nemhum dos sacramentos da Igreja, nada aponta para arrumações, nada aponta para o local dos cantores. Quanto ao acolhimento: quem dentro está, está sempre contra a luz - a pior coisa que temos dentro das nossas casas, por isso pomos cortinas nas janelas. Se a Almagreira ficou no mapa, ficou pelas pior das razões. Sou de acordo com quem diz: foi uma afronta aos crentes desta terra.

Anónimo disse...

Visitei a ilha do Pico pela primeira vez este verão. Para além da beleza natural da montanha e do mar essa igreja foi a coisa que mais me tocou.

Pelos comentários e pela forma com tratam aquele edifício (interior e envolvente uma saloiada) fico com a sensação que deram pérolas a porcos...

Anónimo disse...

Para "o anónimo que aponta" e que gosta de cortinados:

importam as pessoas com ideias assumidas. Os anónimos e o portugal antiquado que você defende nada importa.

Procure a contra-luz porque as suas ideas anódinas (anónimas)já nem se usam.

Ou, então, em vez da beatiçe, tente as drogas leves.

Anónimo disse...

José A França (Lisboa, Anónimo anterior