quarta-feira, 8 de abril de 2009

Subsídios para um orçamento mais justo

Foto adaptada daqui
O princípio, mais que justo, da afectação de recursos do orçamento regional segundo a necessidade de cada ilha, e não pela sua área ou população, parece não se aplicar ao Pico.

De facto, perante as carências evidenciadas na ilha, os factores área e população tornam-se dispensáveis na reivindicação de uma distribuição mais justa do orçamento, podendo estes apenas servir para sublinhar a pertinência da instância.

Estar consecutivamente, cinco anos, em quinto lugar no montante atribuído a cada ilha, é manifestamente intolerável e inaceitável, mesmo tendo em conta a habitual pacatez dos homens do Pico.

Será que todo o investimento efectuado, nas nossas parceiras primo-divisionárias, é prioritário?

A título de exemplo, vejamos um caso, poderia citar outros, relatado pela própria imprensa micaelense, acerca do último grande investimento nesta ilha:

"Bastava-nos um cais de cruzeiros e o aumento da marina mas, como é regra na imbecilidade das políticas económicas que pretendem "deixar marcas" de "décadas de oiro", lá vai também mais um "centro comercial", mais uns "espaços" ditos multiusos, mais betão (...)"Estevão Gago da Câmara no Açoriano Oriental."

(...) Já escrevi, propus e reafirmo a minha concordância com um cais de acostagem para paquetes, mas rejeito, como cidadão contribuinte, essa volumetria escandalosa, a guardar fruto da megalomania."Jorge do Nascimento Cabral, no Correio dos Açores."

(...) acho que devia ter havido mais moderação, mesmo sabendo-se que estamos em ano eleitoral. A situação mundial da economia aconselha prudência a todos os níveis. "Argolas no Argoladas

É certo que os Açores dispõem do maior orçamento de sempre.
Mas não deveria haver sensatez e equilíbrio na sua aplicação?

É que os mais reputados economistas afirmam que se deve combater a crise, usando o investimento público na antecipação de obras necessárias, como por exemplo em escolas e hospitais.

Assim, avançar com a construção do Centro de Saúde do Pico e da Escola Secundária de Lajes do Pico, conforme o planeado, estaria de acordo com estes princípios.

Pois, incentivar a economia através da supressão das carências das populações é o que se espera de um governo competente.

Mas, se se pretende insistir na atribuição de verbas para estas apenas constarem no plano e não merecerem qualquer execução orçamental, apesar de constarmos em quinto lugar, será caso para dizermos basta.

Basta de obediências servis e pouco consentâneas com os tempos que correm.

3 comentários:

SABALE disse...

muito bom, eu gosta pagode
http://www.sabaleplus.blogspot.com/

Jose Augusto Soares disse...

Não quero crer que só haja quatro ilhas com necessidade de menos investimento...
E quase que aposto que essas ilhas são Corvo, Flores, Graciosa e S.Jorge....
Certo?

É o costume...

Paulo Pereira disse...

Até S. Jorge nos tem passado à frente nos últimos anos.
Bem, já lá vão cinco...
Penso que o Pico não está contente, mas às vezes, penso que fazemos o papel do grupo de escuteiros que ajudou a velhinha a atravessar a rua.
É que, na verdade, a velhinha não queria atravessar...