quarta-feira, 15 de julho de 2009

Terá Pacheco Pereira razão???


No actual estado de degradação das estruturas partidárias, os partidos são verdadeiras escolas de tráfico de influência.

Sucedem-se os casos de polícia envolvendo personalidades que se tornaram conhecidas por via da política, em particular nos dois grandes partidos, PS e PSD, e num mais pequeno, o CDS.
O PCP e o BE parecem até agora à margem dos casos com maior escândalo público. (...)

No actual estado de degradação das estruturas partidárias, em que a militância desinteressada e a adesão político-ideológica é quase irrelevante em relação à carreira aparelhística, os partidos no seu interior são verdadeiras escolas de tráfico de influência, de práticas pouco democráticas como os sindicatos de voto, de caciquismo, de fraudes eleitorais, de corrupção.

É duro de se dizer, mas é verdade e nessa verdade paga o justo pelo pecador.(...)

Tudo isto ainda na faixa dos vinte, trinta anos. O grosso da sua actividade tem a ver com um contínuo entre o poder no partido e o poder na câmara municipal, ou no governo, um alimentando o outro. Com a ascensão na carreira, tornou-se ele próprio um chefe de tribo.

Pode empregar, fazer favores, patrocinar negócios, e inicia-se quase sempre aqui no financiamento partidário e no perigoso jogo de influências que ele move.

Como dirigente partidário ele é o chefe de um grupo que dele depende e que o apoia ou ataca em função dos resultados que tiver, em apoios, prebendas, lugares, empregos, oportunidades de negócios.

Começa a enriquecer, a mudar o seu trem de vida. Já há muito que se habituou a ter carro, telemóvel, almoços pagos ou na função ou pela estrutura do partido que lhe dá um cartão de crédito para "trabalho político".

Paga do seu bolso muito pouca coisa e conhece todas as formas de viver gratuitamente.


Excerto retirado daqui

10 comentários:

Anónimo disse...

Se tem razão? - Tem toda a razão e ele deve saber bem o que diz, que também provou a coisa, mas teve o discernimento de dizer que não queria mais, ou não.

As provas de isso ser verdade são-nos dadas diariamente. A classe política, aquela que chega ao poder, tranforma-se num bicho-papão que nunca sacia a sua fome. Quer sempre mais e mais e não olha a fins para o obter.

E vivemos na obscuridade, numa inércia, como espectadores passivos de uma degradação humana que prejudica o seu igual, daqueles que se dizem e se fazem cultos e ilustres mas que não passam de uma reles escumalha sem escrúpulos.

Mas vivem sempre bem e estão sempre lá em cima. A ignorância e a falta de raciocinio das massas, que ainda têm a infausta capacidade de os apoiar e reeleger, nem tão cedo nos tirará deste cenário.

r. disse...

Apesar disso tudo, que admito ser certo, a verdade é que os partidos são, para todos os efeitos, as estruturas básicas para o bom funcionamento democrático. Este é um dado adquirido.

Por outro lado, os partidos, apesar de tudo o que foi dito, são, também eles, estruturas democráticas, ou seja, impera a lei da maioria.

Logo a conclusão que eu próprio já cheguei há muito, em texto lá no blogue, é que, depois de reconhecido que os partidos estão a ficar impestados de gente de má índole, que se aproveita deles e servem-se da coisa pública, em vez do contrário, depois de reconhecido isso pela sociedade civil, pensante e preocupada com o estado de coisa e tendo por base os dados que falei antes (1. partidos essenciais à Democracia e 2. partidos estruturas democráticas), só resta a todos quanto se preocupam aderir aos partidos e lutar por dentro.

É a única forma de se atingir algo de melhor. É essa a conclusão que cheguei ao fim de muito tempo de ponderação sobre o assunto.

Anónimo disse...

A razão de Pacheco Pereira tem um capitulo nas Lajes do Pico. A actual presidente de camara teve que ser obrigada (tribunal?) a dizer ao seu amado chefe de gabinete que era chato estar em evora todo o ano e os contribuintes a pagarem 2 mil euros por mes (14 meses por ano)por um taxo que foi exercido virtual e ficticiamente... durante 2 anos!! Haja vergonha. Viva a DEMOCRACIA!!!

Anónimo disse...

Apesar de o considerar um teórico, Pacheco Pereira está cheio de razão.
Tenho um Tio, já octogenário, que costuma dizer "Estou farto de política!". Eu diria mais: e de Políticos! E, para mal dos nossos pecados, parece que não há volta a dar-lhe!?...

Anónimo disse...

Tacho. Escrever 100 vezes, "tacho"!
Era assim que, na Escola Primária, em tempos idos, também se ensinava (Reconheço que com alguns exageros!) a escrever em bom Português.

Anónimo disse...

E que tal esse TACHO?

Café Puro disse...

e ainda há dúvidas quanto à razão pelas taxas de abstenção???

r. disse...

Custa-me um pouco ver todos a apontar o que está mal, mas ninguém apontar soluções, ou ainda mais importante, fazer algo.

Não se diga que a culpa é deles, políticos. Os partidos estão abertos a todos e reconhecido, como parece que está, que o problema reside nos partidos, ou melhor, em quem lá está, parece evidente que a solução é por dentro dos partidos.

Tudo o resto, com o devido respeito a todos, é típico da nossa maneira de ser, falar, mas nada fazer.

Anónimo disse...

"Não se diga que a culpa é deles, políticos. Os partidos estão abertos a todos e reconhecido, como parece que está, que o problema reside nos partidos, ou melhor, em quem lá está, parece evidente que a solução é por dentro dos partidos".
Caríssimo Rui Gamboa: Por acaso já reparou, nas tomadas de posição de João Cravinho e Manuel Alegre, por exemplo?! ... Se eles pouco, ou nada, conseguem alterar, o que poderão fazer os simples mortais?...

Rui disse...

Caro Anónimo,

É que, reconhecendo o que está mal e nisso parece que estamos de acordo, parece ser a única solução. É que não vejo mais nenhuma. A não ser uma revolução. Mas mesmo essas, têm sempre efeitos preversos.